Como bom mineiro que sou aproveitei o recesso de fim de ano para passar uns dias no Espírito Santo. A grande vantagem de ir ao Espírito Santo nas férias é que à medida que vamos envelhecendo vamos perdendo contato com aqueles nossos colegas de escola, antigos vizinhos e amigos que nunca mais vemos aqui em BH. E lá temos a certeza que iremos encontrar todo este pessoal novamente. Só não estarão lá aqueles que foram para Cabo Frio. Mineiro se não for para a praia nas férias é como se não tivesse tido férias. Eu particularmente não gosto de praia. Mas adoro ir ao Espírito Santos rever os vários familiares que tenho por lá. A praia é até um lugar bacana. Porém lá eu encontro três problemas que não me fazem ter vontade de voltar: sol, sal e areia. A junção destes 3 elementos promovem um desgaste no corpo que uma viagem que deveria ser relaxante se torna exaustiva em minutos. Sempre que passo alguns dias no litoral vou à praia pelo menos uma vez, para que na volta as pessoas ao perguntarem não fiquem tão estupefatas a ponto de falarem horas na minha cabeça sobre as delícias que um banho de sol e de mar podem me proporcionar. Mas é muito mais comum me ver numa piscina de uma cidade litorânea do que me sujeitando à presença daqueles três elementos nada agradáveis. Ir à praia de noite já resolve boa parte do problema, uma vez que não temos o sol e sem ele os elementos sal e areia não são assim tão incômodos. De acordo com cálculos feitos pelo meu primo Fábio a melhora é em torno de 51,82% neste caso.
Mas esta viagem ao Espírito Santo foi especial. Como mostra esta chamada do jornal A Gazeta foi lá em Vitória que fiz minha primeira apresentação “fora de casa” como comediante stand-up. Graças ao babaca e amigo Luxa, proprietário do Teacher’s Pub, onde ocorreu a apresentação. Além de abrir a porta de sua casa ele ainda entrou em contato com o pessoal do excelente grupo Comédia a La Carte com quem eu e meu amigo Gabriel Freitas tivemos o prazer de dividir o palco na noite de 30 de dezembro.
Vitim Moraes, Fábio Flores, Haeckel Ferreira, Gabriel Freitas e eu.
Além disso a oportunidade de apresentar para boa parte da minha família que mora no Espírito Santo ajudou a fechar com chave de ouro um ano muito especial. Deixo aqui um pequeno trecho da apresentação. Foi a primeira vez que fiz este texto e como não sei quando terei oportunidade de apresentá-lo novamente, resolvi postá-lo de uma vez.
Amanhã acontece a cerimônia de entrega da VI Bienal do Piores Poemas organizada pelo Grupo Oficcina Multimédia e que tem como tema "A Mulher Fala". Devido à apresentação que farei no Cafofo não poderei comparecer. Porém recomendo a todos irem a este evento de suma importância para a cultura belorizontina. Mas saindo de lá (o horário de encerramento está marcado para 21h) corram para o Cafofo que dará tempo de assistir a apresentação completa do Grupo Queijo, Comédia e Cachaça! Gostaria de aproveitar e colocar aqui o resultado de minha humilde participação na Bienal do Piores Poemas de 2002 cujo tema era "Ah! o mar...":
Um poema sobre o mar Não é difícil recitar Basta fazê-lo rir... Ri mar! Ri mar! Rimar...
Eu sei...sou um poeta nato! Obviamente não ganhei nenhum prêmio uma vez que o concurso era para o pior poema e este meu ficou estupidamente bom. Este ano perdi o prazo de inscrição mas irei treinar bastante para quem sabe concorrer (e ganhar) no ano que vem!
O treinador Émerson Leão foi demitido de seu clube no Catar. Leão treinou vários times brasileiros que se fossem listados daria ocuparia quase o espaço da matérias. Porém o treinador possui uma idenfificação especial com dois times e torcidas: Santos (onde foi campeão Brasileiro em 2002) e Atlético Mineiro (onde foi quarto colocado no brasileiro de 1997** e fez um ótima campanha depois que assumiu o time no ano passado). Para o portal Terra, em uma matéria sobre futebol asiático que é vista pela internet por qualquer pessoa no mundo isso já não importa: ... Apesar de não permitir que o treinador termine seu vínculo de dez meses, o Al-Sadd se comprometeu a arcar com todos os detalhes estipulados na cláusula de rescisão. Desta forma, o ex-treinador de São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians considera que o acordo está sendo cumprido. ... Como disse meu amigo Marcelo Vargas: "Peraí! Não tá faltando um time muito recente nesta lista aí não?"
E é nessas pequenas coisas que a gente nota para quem é feita a crônica esportiva nacional. E mais uma vez nossa "síndrome de underground" é justificada.
**informação corrigida após observação do Ota, presidente da Cru-Golo
Cruzeiro e Flamengo fizeram um grande jogo pelo Campeonato Brasileiro no último domingo. Cinco gols, lances polêmicos, bolas na trave, gols perdidos e muita emoção num dos melhores jogos do campeonato. Eu estava lá e enquanto o Cruzeiro não fez o terceiro gol estava com uma péssima sensação de quem estava sendo lesado. Mas de qualquer maneira queria esperar até chegar em casa e ver os lances da falta horrorosa cometida pelo Toró no Ramirez que merecia cartão vermelho aos meus olhos e do pênalti cometido pelo mesmo Toró sobre Thiago Ribeiro quando o jogo estava 2 a 2. Chegando em casa liguei o computador e entrei no site da globo para ver os melhores momentos. Tamanha foi a minha surpresa a ver todo o choro do adversário estampado nas principais manchetes a respeito de um suposto pênalti não marcado no último minuto do jogo. Confesso que no estádio não tinha como ver com clareza o lance pois me encontrava na arquibancada do lado oposto, mas vendo o lance depois pelo alto e com zoom achei que realmente a penalidade havia ocorrido. Porém os dois lances que eu tanto queria tirar minha dúvidas não faziam parte do compacto editado pela Globo. Por que? Só se falava no tal lance que tirou o Flamengo da Libertadores (sendo que não há nada decidido ainda) mas em momento algum estava sendo questionado os demais lances onde o Flamengo havia sido beneficiado. Pior! Eu não tinha nem mesmo a oportunidade de matar minha dúvida. Em discussões na internet flamenguistas que haviam assistido ao jogo pela TV me garantiam que não havia sido pênalti. Já em sites e comunidades relacionadas ao Cruzeiro aqueles que não foram ao estádio garantiam que o pênalti no Thiago havia ocorrido. Não que um erro justifique outro, mas a grande questão é o porque de os grandes formadores de opinião do Brasil não mostrarem os dois lances polêmicos! Foi então que na terça-feira o lance finalmente apareceu:
Primeiro: se por acaso o lance do Thiago não foi pênalti, por que não mostrá-lo antes? E mais! Por que não temos aquela imagem com zoom e com todos os detalhes em câmera lenta? Junto deste lance foi colocada também uma carta do presidente do cruzeiro Alvimar Perrella que exprime praticamente tudo que eu queria falar aqui sobre essa tal “síndrome de underground”. Seguem alguns trechos:
“...infelizmente, a partida que no domingo era apontada por vários críticos e torcedores com a mais espetacular do ano, acabou tendo uma repercussão distorcida nos últimos dias. Os belos lances de ataque, as grandes defesas dos goleiros e os cinco gols ficaram em segundo plano diante de uma jogada polêmica. Grande parte da crônica nacional se uniu ao choro dos flamenguistas e ainda hoje só comentam um dos pênaltis não marcado pelo árbitro Carlos Eugênio Simon. A dividida do zagueiro Leo Fortunato com o atacante Diego Tardelli deixou muitas dúvidas. 48 horas depois do jogo analistas de arbitragem, jornalistas e comentaristas continuam discutindo se foi falta ou não. ... Mas por que a mesma veemência dos comentários não é usada para analisar outros lances em que o time carioca pode ter sido favorecido? A falta desleal de Toró em Ramires merecia apenas o cartão amarelo ou aquela entrada covarde deveria ter sido punida como cartão vermelho? E a falta dentro da área do mesmo Toró no Thiago Ribeiro não foi pênalti? O que muito nos estranhou foi ver em vários programas de televisão esse lance ser mostrado por apenas um ângulo, sem as imagens de detalhe que são gravadas na beira do campo e por câmeras posicionadas atrás das traves. ... No primeiro turno, no encontro entre Portuguesa e Flamengo, no Canindé, o árbitro Evandro Rogério Roman validou dois gols rubro-negro ilegais, em jogadas que tiveram toque de mão de atletas cariocas. Mas a repercussão daquele jogo não foi nem de longe do tamanho que estamos vendo agora. Por que? Os times de Minas Gerais já foram prejudicados em inúmeras competições contra equipes do Rio. Podemos lembrar facilmente de vários exemplos: a perda do Brasileiro de 74 pelo Cruzeiro contra o Vasco e até mesmo as arbitragens favoráveis ao Flamengo contra o Atlético-MG na final de 80 e na Libertadores de 81, mas parece que esses são jogos “esquecidos” no Rio de Janeiro.”
Mas o que me deixou mais puto nessa cobertura totalmente parcial da rede Globo a respeito deste caso foi este vídeo que encontrei hoje no youtube:
Não houve pênalti! O lance é muito rápido e pode gerar interpretações diferentes, claro. Mas por que esta imagem por este ângulo não foi mostrada até então?? É incrível o poder de manipulação da imprensa e este caso mostra muito bem isso. Se isso é feito no futebol...imagine como não são manipuladas as notícias que realmente interessam... Na minha opinião, o saldo da partida é o seguinte: 2 bolas na trave do Flamengo em finalizações dos atacantes cruzeirenses. Uma falta grotesca digna de expulsão de Toró em Ramires onde o infrator recebeu apenas cartão amarelo. Dois lances muito polêmicos de penalidades dentro da área, sendo um para cada lado e ambos não-marcados. Dois impedimentos mal-marcados que poderiam resultar em gols, um para cada lado. Dois gols incrivelmente perdidos, um por Ramires e outro por Juan (um para cada lado). Dois gols marcados pelo Flamengo. Três gols marcados pelo Cruzeiro. Se mesmo assim você acha que caso o Flamengo fique mesmo de fora da Libertadores a culpa é do Simon, a única coisa que posso fazer é lamentar por você. E oferecer um lenço.
Na quarta-feira, dia 05 de novembro não tivemos rodada do Campeonato Brasileiro. Depois da novela a rede Globo transmitiu o jogo Botafogo x Estudiantes. Jogo sem muito interesse para aqueles que não torcem para o time da estrela solitária, como eu. Se tratava ainda de um jogo de quartas de final de uma competição sulamericana que ainda não possui grande prestígio (mas deveria) entre os brasileiros. Mesmo não assistindo à partida achei que fosse bom ela passar para que a tal competição comece a cair no gosto do pessoal daqui. Ontem, quarta-feira, dia 26 de novembro o Internacional de Porto Alegre começava a decidir a Copa Sulamericana contra aquele mesmo Estudiantes. O Inter com um grande time e disputando uma decisão inédita para o Brasil. Um jogo que seria de grande interesse de muitos torcedores e amantes do futebol, mesmo aqueles que não são torcedores do colorado. Liguei a televisão para assistir a partida e para minha surpresa passava um filme. Mas como? Por que? Então me lembrei que apesar de ter um grande time e ser o último clube brasileiro a vencer uma Libertadores e Mundial, o Internacional não faz parte do “eixo”. E minha síndrome de underground ganha mais uma prova e que não é apenas mania de perseguição...não se trata nem mesmo do meu time.
Este post do Blog PHD (Páginas Heróicas Digitais) mostra que este sentimento não é apenas meu.
Ontem, quarta-feira dia 19 de novembro de 2008 vi uma chamada na página principal do Yahoo! para uma notícia a respeito do ranking da IFFHS. Para quem não sabe este ranking diz respeito apenas aos últimos 12 meses e a pontuação é dada pelos resultados obtidos em torneios nacionais e internacionais, sendo que os torneios internacionais possuem peso maior. Normalmente o melhor brasileiro é aquele que melhor se saiu na Libertadores. Não vou discutir os critérios deste ranking, que eu acho totalmente inútil. Mas já que ele foi noticiado vamos analisar como isto aconteceu. Clique aqui para ver a notícia in loco. Pois bem, a chamada era ilustrada pela imagem abaixo: print screen completo
Já na chamada é dito que o Fluminense é quem lidera entre os brasileiros e o Corinthians nem está na lista (não disputou Libertadores nem o Brasileiro...não pontuou no último ano, portanto). E temos uma ilustração com 3 fotos, sendo a primeira do atacante Washington, do Fluminense, logo depois Rogério Ceni, jogador do São Paulo e depois Ibson, meio campo do Flamengo. Ao ver a chamada concluí que Fluminense, São Paulo e Flamengo eram os 3 melhores brasileiros do ranking, o que é uma conclusão óbvia a partir desta imagem.
Resolvi então entrar na matéria para saber a posição do Cruzeiro, que maginei não ser muito distante do Flamengo, já que ambos estão próximos no Brasileirão e foram eliminados na mesma fase da Libertadores. Foi então que tive a surpresa: print screen completo
Jornais locais priorizarem imagens de seus times é absolutamente compreensível. Mas um portal como o Yahoo! é acessado por todo o mundo. Não é um portal voltado para cariocas ou paulistas. Alguém tem uma justificativa no mínimo plausível para haver a imagem do jogador do Flamengo na chamada uma vez que este time não figurava entre os 3 primeiros? Alguém consegue me mostrar que não se trata de favorecimento explícito a este time em termos de exposição na mídia? É a maior torcida do Brasil? Sim. Isto justifica até ter mais matérias sobre o Flamengo que de outros times...mas para este caso não consigo encontrar justificativa alguma para não constar uma imagem de um jogador do Cruzeiro, time que ocupa a terceira posição neste ranking que, se não é parâmetro para nada não sei o porque de o fato ter virado notícia. A única coisa que eu pediria era um mínimo de imparcialidade... coisa difícil de se encontrar em nossa imprensa esportiva. Enfim, eis aí a primeira prova de que a tal síndrome de underground batizada para mim não se trata de mania de perseguição...
Síndrome de underground foi o nome dado pela minha querida amiga Manu às constantes reclamações que faço a respeito dos benefícios que os times do eixo (São Paulo, Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, Fluminense e Botafogo) recebem, principalmente da mídia. De tanto ouvir os argumentos dela tirei o Santos da lista e também reconheço que Fluminense e Botafogo recebem menos benefícios que os demais citados, sendo Flamengo e Corinthians sem dúvidas os mais "favorecidos". Não por coincidência as duas maiores torcidas do país. Não estou dizendo que a mídia é errada ao dar mais destaque a eles afinal de contas mídia é também negócio. A única coisa que eu gostaria era de uma igualdade de tratamento e mais imparcialidade em alguns casos. Até porque mesmo esta questão de tamanho de torcidas é um pouco complicada pois acabamos entrando na questão do ovo e da galinha: esses times têm maiores torcidas por receberem tratamento especial da mídia ou eles recebem tratamento especial da mídia por terem as maiores torcidas. Somente um estudo bastante aprofundado a respeito do crescimento do rádio, jornais impressos e TV no Brasil aliados à gradativa formação de cada torcida poderia nos ajudar a elucidar esta questão. Bom...depois, se for o caso, eu exponho aqui tudo o que penso a respeito deste assunto. Para quem não entendeu, esta manifestação dos torcedores do Vitória seria um ótimo exemplo prático da síndrome de underground se aflorando. Começarei a postar aqui todas as justificativas que achar para possuir a tal síndrome, afim de mostrar (ou tentar mostrar) que não se trata de uma mania de perseguição e sim de um sentimento que todo torcedor off-eixo deveria nutrir para não se deixar enganar por aquilo que vê todo dia por aí... Amanhã teremos o primeiro exemplo...só não vai ser hoje porque os "prints" que dei não estão aqui neste computador...
Bruno Berg Camisasca tem 29 anos e é arquiteto (portanto não gosta de mulher), é racional (portanto, não gosta de futebol) e acima de tudo é uma pessoa séria (portanto, não gosta de piadinhas). Bruno Berg é um grande masoquista.
Bruno Berg Camisasca é do signo de aquário (mas acha esse lance de signos uma grande bobagem) e é fã incondicional do número 82 (mas acha esse lance de numerologia uma grande bobagem). Bruno Berg não sabe porque escreveu este parágrafo, mas acha que ele pode dar sorte.